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terça-feira, 14 de junho de 2011

Ser-humano-ilha

Sinto-te só...
Cercado por outros, ignorado por todos
Pura e simplesmente, dura e tão somente só...
Um ser-humano-ilha: porção de pele, ossos, alma e carne cercada de gente por todos os lados
e ainda assim só...
Sinto-te longe
como um pôr-do-sol no horizonte
Um sol imponente, que espalha com esplendor seus raios
beleza de tal sorte pura e inabalável
Feita para o deleite da visão e a insatisfação do tato
que insiste e procura-te, ainda que sabendo-te inalcançável
E apesar de tanta beleza, ainda sinto-te só.
Sinto-te triste
Pequena chama de vela imersa numa vasta escuridão
Chama fraca de luz vacilante
Iluminando tão pouco, apenas o bastante para as trevas não se instalarem de vez
não dominarem outra vez
Mas acima de tudo, sinto-te só.
Sinto-te tanto,
adivinho-te, encontro-te, deixo-te, esqueço-te,
mato-te, morro-te, amo-te.
Sinto-te eu
Sinto-te meu
Abaixo do mundo, no fundo de tudo
Sinto-te igual, sinto-te bem, sinto-me mal...
Sinto-te aqui, sinto-te lá, sinto-me má...
Sinto-te todo, sinto-te, provo-te, provoco-te
E com tua ausência, sinto-me só:
um ser-humano-ilha: porção de pele, ossos, alma e carne cercada de gente por todos os lados
e ainda assim só...

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